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Como você se tente num esporte predominantemente
masculino?
Antigamente, nossa como eu sou velha, de vôo
é claro, a galera achava o máximo
uma mulher voar, pois na época no Brasil
todo havia apenas umas 20 voadoras, os meninos
até ajudavam a carregar a mochila, hoje
como tem bastante mulher voando o espírito
machista perdura, "Você não
é mulher, você é piloto e,
portanto, carregue sua mochila". Não
é que eles também estão certos!
Como mulher, você encontra mais facilidades
ou dificuldades no esporte. Você acha que
os colegas sentem ciúmes quando uma mulher
voa melhor que eles?
Alguns poucos sem dúvida sentem, o que
eu mais escuto em algumas rampas é "Se
até ela voa" ou "Se até
ela decolou nessa condição".
Fico muito irritada com esse tipo de comentário,
pois o fato de eu ser mulher não me impossibilita
de voar como os homens vôoam, mais isso
não me incomoda muito, adoro tirar foto
do extradorso das velas dos meninos.
Por ser mulher você sente mais medo que
os homens, em função de pousar em
locais longe e roubadas?
Sem dúvida sinto, pois afinal de contas
sou mulher, muitas vezes olho a roubada e digo,
eu vou, mas rezando para achar alguma térmica
ou algo que me tire dali rápido e me leve
alto para que eu possa escolher pousos melhores.
O problema não é andar com o paraca
nas costas, é saber o que vai encontrar
no caminho, ser assaltada, ou encontrar bichos
peçonhentos e por aí vai. O bom
em ser mulher é poder dizer EU ESTOU COM
MEDO, e ninguém fazer piada com você,
pois o grande problema dos homens é não
admitir o seu medo.
Fale qual a importância do esporte em
sua vida
Vôo é um estado de espírito
para mim. Se eu voei no final de semana tudo fica
bem, se eu não voei alguma coisa fica faltando.
É uma filosofia de vida. Preciso estar
alguns minutos suspensa no céu apenas com
minhas lindas asas vermelhas sentindo o vento
no rosto e o sabor das nuvens, isso me revigora
e me deixa leve e tranqüila. É o único
momento em que todos os problemas do cotidiano
passam a ser irrelevantes.
Você já pilotou muitos equipamentos?
Vixi! Vamos aos Pterogliders, Brisair Ailes de
K, Classic Fun Gliders, Mustang da Edel, Phocus,
Vertex, Neon, Octane e agora o Zoom da Gin.
Como foi sua evolução no vôo.
Bom, comecei a voar muito cedo, ainda era menor
de idade, e tive uma instrução muito
deficiente em alguns aspectos. O esporte era muito
novo, e então, era tudo muito no erro e
no acerto. Somos sobreviventes daquela época,
pois fazíamos barberagens horríveis
e saíamos ilesos, claro que nem todo mundo
tinha a mesma sorte.
Porém comecei a evoluir mesmo, quando comecei
a voar fora do Paraná, já que nem
sempre rola condição de vôo
aqui. Comecei a competir e conheci várias
pessoas que contribuiram muito com o meu aprendizado
no vôo, dentre elas o Bafinho, Frank, André,
Moka e Sivuca que literalmente me adotaram e me
ensinaram muitas coisas, tive muita sorte pois,
afinal de contas, eu estava aprendendo com os
melhores do país.
Quais são os vôos de sua preferência?
Eu curto muito o vôo de cross, se bem que
faz tempo que não faço um decente.
Adoro voar em Minas, curto também fazer
um liftão pra relaxar.
Já participou de competições?
Não sei se vou lembrar de todas, mais minha
primeira competição foi em Araxá
acredito que em 2000. Com muita sorte, voando
de Phocus, fiquei em 1º no feminino e em
5º, no serial, competindo com os meninos.
Para mim esse 5º lugar teve um sabor muito
maior que o 1º.
As competições foram: Todos os CBPs
de 2000, 2001, 2002, 2003, as cidades normalmente
eram sempre as mesmas, Cambuquira, Valadares,
Araxá, Leopoldina, Baixo Guandú,
Sete Lagoas. Todos os Campeonatos Brasileiros
de 2000 à 2003, Andradas, Valadares, Cambuquira
e os Campeonatos Paranaense e Sul Brasileiro.
Quais os locais que gosta de voar?
Cambuquira, meu templo, Valadares, a Meca e Palo
Buque, no Chile, meu Paraíso.
O mais você gosta no vôo livre?
Acredito que conhecer lugares maravilhosos que
só conheceríamos voando e fazer
amigos no mundo inteiro.
Como seus amigos e familiares encaram o esporte.
Minha mãe acompanhou todas as minhas aulas
práticas de vôo. No dia da minha
formatura não quis ver. Foi ver meu segundo
vôo, e segundo quem estava no pouso, tremia
mais do que vara verde. Mas ela sempre me apoiou
e sempre curtiu que eu voasse.
Meu maridão voa também, então
não temos stress do tipo "adivinha
para onde vamos no final de semana?". Para
a rampa é claro! O único problema
é o resgate, pois como nós dois
voamos os dois ficam na roubada e a pé.
Quais são seus planos para o esporte?
Troquei de equipamento faz pouco tempo, troquei
meu amado e imprevisível Octane pelo meu
estável Zoom. Não sei se pretendo
voltar a competir. Competi muito tempo da minha
vida de voadora, e me cobrava muito, o que acaba
tirando da nostalgia do vôo. Muitas vezes
perdia um belo vôo, só para voar
contra vento e andar míseros 3km rumo a
um pilão. Competição exige
tempo, treino e, sem dúvida, dinheiro,
pois praticamos um esporte caro e todas as rampas
legais de vôo estão no mínimo
a 600 km de Curitiba e, para treinar, é
duro sair na sexta e voltar no domingo. Fiz isso
durante 3 anos, não me arrependo, mais
infelizmente hoje já não tenho tanto
tempo disponível para me dedicar ao esporte.
Acabei de sair da temível "síndrome
do piloto intermediário", fiquei um
ano morrendo de medo de voar sem motivos aparentes,
sabia que eu conseguia voar bem, em qualquer condição,
que eu conhecia cada centímetro da minha
vela, afinal foram dois SIVs bem proveitosos com
ela,
e mesmo assim estava na "Nóia"
com o vôo. Hoje, troquei de equipamento,
estou voando com uma senhora vela, ótima
em performance, estabilidade e segurança
e estou retomando minha confiança e meu
tesão no vôo. Fiz outro SIV com o
Pablo Lopez, o qual, literalmente, mudou a minha
maneira de enxergar as nuances do vôo e
a dar valor para as coisas simples do vôo.
De objetivos e metas quero conhecer os principais
points de vôo da Europa, e voltar para o
Chile sempre que eu puder.
Quero voar a vida inteira!
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Danuza
decolando de
Governador Valadares |
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