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O Fabião é um dos assíduos hóspedes
da pousada e respondeu algumas perguntas para nós.
O que motivou a iniciar a prática do esporte?
Sempre fui apaixonado por tudo que voa e também
por altura. Quando tinha uns 10 anos, morava no Campo
Belo e nossa área de serviço oferecia
um lindo visual da pista do aeroporto de Congonhas.
Ficava horas e horas em cima da máquina de lavar
vendo pousos e decolagens. Lembro também, que
quando morei no interior, entre 12 e 18 anos, colocava
um capacete e escalava a antena de televisão
para apreciar o visual lá de cima.
Tinha muita vontade de ser um piloto de avião.
Fui paraquedista também e, certa vez, vi uma matéria
sobre parapente e interessei-me. Entrei em contato com
algumas escolas, convoquei meu cunhado e um grande amigo
e nos aventuramos numa aula teste no morrote de Franco
da Rocha. Aí fui picado pelo bicho do vôo
e não achei mais a cura. Ainda bem!
Você tem algum história, do início
da prática, que tenha sido pitoresca?
Sim, e quem não tem?!
Lembro que estava "formado" e frequentava
sempre o morrote de Franco da Rocha para treinar inflagens.
Certo dia fui até lá com o Adalberto,
meu cunhado e meu camarada Rubens, que fêz o curso
também. O vento estava forte e aproveitei a oportunidade
para treinar. Uma vez vi um maluco decolando deitado
e tive vontade de tentar também. Coisa de preá.
Preparei-me como numa decolagem alpina, deitei-me e
pedi para o Rubens fazer um lastro. -Não me solte
porque tá forte!. Comandei a vela, que subiu
perfeitamente à cabeça e rapidamente estava
pendurado com o auxílo do Rubens. Foi aí
que escutei: Fabião, tá voando, manda
bala e, eu fui liberado.
Resultado: voei lateralmente a 1 metro do chão,
por uns 200 mts. A vela não penetrava e fui parar
nuns arbustos como o Super Man, com um braço
esticado à frente e um paraca embolado nos gravetos.
Sofri apenas alguns arranhões e um ataque de
risos, acho que era de nervoso. Meus muy amigos
camaradas vieram correndo, preocupados, mas não
seguraram as risadas.
Quais equipamentos já pilotou?
Um Pro Design-Pro Feel , um Cyclone da SOL e um Eclipse
da SOL, desde agosto/03 e atual parapente, que gosto
muito.
Como foi sua trajetória no vôo?
Virei um fanático de carteirinha. Após
a formatura em São Vicente (meu instrutor foi
o Júlio Esteves e durante o primeiro vôo
contei com o auxílio dos camaradas Marcos Tavares
na rampa e do Reginaldo na navegação para
o pouso), comecei a voar por lá, pelos amigos
que fiz, pelo vôo bacana e pelo visual. Várias
vezes saí do escritório durante o horário
do almoço para fazer um liftão e voltar
com um sorriso estampado no rosto. Voei um pouco em
Atibaia, lugar maravilhoso e depois conheci Andradas
e fiquei impressionado com a rampa e a organização
do clube. Para agravar a situação, lembro
que o primeiro vôo que fiz por lá, com
meu Pro-Feel, cheguei a 1.000 mts acima da rampa e fiquei
maluco! Daí em diante passei a freqüentar
regularmente o Pico do Gavião, ao qual sou associado
desde 2002. Sempre dediquei-me muito às horas
de vôo. Além da paixão, acho que
a freqüência é um fator determinante
para evolução no esporte. Voando sempre,
você fica cada vez mais íntimo e parceiro
do seu equipamento, tirando o melhor rendimento dele,
além de aumentar o nível de segurança.
Como e quando iniciaram os vôos cross?
Quando participei pela primeira vez de campeonatos e
voava de Cyclone. Foi no Open em Valadares, no carnaval
de 2003. Lembro que foram 4 dias seguidos de tiradas.
Que felicidade!
Já participou de competições?
Participei de algumas competições objetivando
o aprendizado e a evolução no vôo:
Open em Valadares de 2003, 2 etapas do CBP - Valadares
e Cambuquira e eventos menores. Novamente o Open em
Valadares em 2004 e 1ª etapa do brasileiro também
em Valadares.
Quais os locais que gosta de voar?
Já voei em São Pedro, Atibaia, Valadares,
Cambuí, Itajaí, Guarujá, São
Vicente e etc., mas tenho um carinho especial pelo Pico
do Gavião em Andradas. Além do local,
da condição, dos amigos, da rampa e da
estrutura do clube, liderada pelos camaradas Max e Simone,
que têm um verdadeiro amor pelo Pico, podemos
voar e aprender com pilotos excelentes. Lá aprende-se
muito! É um privilégio poder voar com
o Fabinho, o Mestre Sivuca, o Mestre Kurt, a galera
dos boomeras (Dio, Wash, Pardal, Moa, Cruz, Kidô,
Adnar), o Césão, Jair, Paulinho, Borzino,
contando com a companhia do Dino, Wagnão Careca,
Marquinhos, Genérico, Xuxa, Shao, Marquinhos,
Lisinho, Viviane, Ricardo, Alê, Mexicano, Alexis,
Didier, Renatão, Klaus, Paulão, Gérsão,
Décio, Cesário e tantos outros. Não
dá para falar de todos.
O que mais você gosta no vôo livre?
Da paixão pelo esporte. Não é muito
bacana ver aquele sorriso estampado na cara daquele
voador que está subindo a rampa ou que acabou
de pousar?
Quais são seus planos para o esporte?
Pretendo dedicar-me cada vez mais ao esporte. Isso incluirá,
como sempre, horas de vôo, determinação
e paixão. Gosto muito de participar de cursos
e de leituras sobre o vôo livre. Neste ano fiz
o curso com o camarada Frank Brown, aprendi muito e
também li várias vezes o livro do Kurt,
que é fantástico.
Desde pequeno estou envolvido em competições,
faz parte do meu perfil e com o parapente não
é diferente. Pretendo participar dos campeonatos
em 2005. Voar um parapente de competição
será conseqüência de um bom trabalho.
Virá naturalmente, na hora certa.
Fale dos amigos, da esposa, e de como seus pais
e familiares encaram o esporte.
A família é a base de todo desenvolvimento.
Meus pais, Camilo e Ivany e meus 04 irmãos são
sensacionais.
Minha esposa, a Alessandra é um caso à
parte, tenho loucura por ela. Minha grande incentivadora
e parceira, não só no esporte, mas em
todos os momentos da minha vida. Não é
média não, hein!
É natural que todos se preocupem por se tratar
de um esporte de risco, mas todos me dão a maior
força porque sabem o quanto é importante
para mim. Meu cunhado, o Adalberto, o Rubens e Dalberto,
que além de voadores, são grandes incentivadores.
Graças a Deus, tenho a sorte de ter muitos e
bons amigos. De um tempo pra cá, como não
poderia deixar de ser, meus amigos mais próximos
fazem parte do mundo do vôo livre. Além
de toda a galera do Pico do Gavião e da turma,
que vem de fora, para voar por lá, destaco as
amizades criadas na Pousada Pico do Gavião, aliás,
minha casa em Andradas. Sem falar dos proprietários
Eliana, Césão e filharada, dona Cida,
seu Osvaldo e a galera do staff, todos são
nota 1.000. Destaque também ao Césão,
que além de ser um ótimo voador, é
um dos caras que mais me estimula a voar.
Conte alguma estória de alguma roubada ou
de algo divertido que lhe tenha acontecido ou seja marcante.
Certa vez estava andando com o paraca nas costas, próximo
à rampa leste de São Pedro, e topei com
uma vaquinha no mínimo estranha. Levantei os
braços para ela sair do meio do caminho e fui
presenteado com uma bela investida. Foi cômico
ver aquele bobão correndo com 20kg nas costas,
esperando uma chifrada certeira. Quando percebi, um
bezerrinho passou por mim e entrou num pasto. A vaca
foi atrás e entrou de cabeça numa cerca.
Instinto materno é assim mesmo, mas os camaradas
que presenciaram a cena estavam sentados de tanto rir.
Tenho outras experiências com as famílias
bovinas dos pastos afora.
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Já pensou, em algum momento, em parar
de voar?
Não! Fico muito chato quando não
posso voar! Ninguém me agüenta. O
que acontece muito, é aquele momento de
reflexão quando rola algum acidente ou
incidente. Quem voa de parapente está exposto
a riscos. Temos que ter consciência disso
e procurar administrar e nos aperfeiçoar
da melhor maneira possível.
Para mim, voar tem que ser sempre uma grande diversão.
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Fábio
e Alê, sua esposa |
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