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Onde você mora?
Essa é uma pergunta complicada. Eu morei até
o ano passado em Campinas onde fazia faculdade, vim
pro Rio no inicio de 2004, mas fiquei praticamente só
voando até agora, quase não paro no Rio
e este ano estou querendo começar a trabalhar
fora do Rio, em algum lugar mais perto de vôo
(sul de Minas, norte de São Paulo).
O que a motivou praticar o esporte?
Eu sempre quis voar. Desde que me entendo por gente
sonhava que estava voando. As vezes acordava de um sonho
desses tão real que tinha certeza absoluta de
que podia voar e ficava tristíssima quando via
que era só sonho.
Eu morei um tempo na Dinamarca com a minha mãe
e quando voltei meu pai já voava de parapente
há 6 meses. Eu não sabia e fiquei louca
quando vi as fotos, comecei o curso no dia seguinte.
Qual a importância do esporte em sua vida?
Voar é parte de mim, é uma coisa que vou
fazer pra sempre, eu preciso voar! É claro que
tem fases. Hoje, estou me dedicando ao máximo
a isso e daqui a pouco vêm outras prioridades,
mas vou sempre voar.
Você tem alguma estória pitoresca?
Eu parei um tempo de voar entre 99 e 2003. Voava bem
pouco e em fevereiro de 2003 eu fui pra Iquique com
meu pai. Foi aí que voltei a voar mesmo. Bom,
eu estava lá com meu paraquinha velho, um Axion,
e queria fazer o vôo de Alto Hospícios
pra Cavancha. É como se fosse o Rio, com a cidade
entre o mar e a montanha, e pra pousar nessa praia a
gente tem que atravessar boa parte da cidade. Só
que eu resolvi atravessar meio baixo e uma hora vi que
não ia passar de uns fios que tem logo antes
da praia. Daí tive que escolher um telhado de
uma das casas da cidade pra pousar! Era uma laje e pousei
super bem, mas dei o maior susto no pessoal da casa
e no meu pai que estava me vendo da praia.
Quais são os locais de vôo de sua preferência?
Andradas acho que vai ser sempre meu lugar preferido.
Por tudo, por eu ter aprendido a voar realmente lá,
pelos amigos, pelo clima na rampa que é sempre
muito legal, pela rampa em si (é a melhor estrutura
que já vi numa rampa) e pelo vôo, claro.
Mas também gosto muito de Araxá, que é
muito parecida com o Gavião na estrutura e no
astral da rampa, mas que tem um vôo mais forte
e com tiradas muitas vezes pro meio do nada (ao contrario
da região de Andradas que quase não tem
roubada) o que eu acho muito legal também. E
tem o Rio, que às vezes dá um vôo
incrível, maravilhoso, eu já pousei chorando
de um vôo no Rio.
O mais você gosta no vôo livre?
Gosto muito da idéia de encontrar pessoas tão
diferentes, mas que são unidas por essa mesma
vontade ou necessidade de voar. De sermos quase uma
tribo, comunidade, sei lá, que nos permite, por
exemplo, viajar e fazer contato com o voador local,
uma pessoa totalmente estranha, mas que vai falar contigo
e vai te ajudar porque voa como você. Isso não
só no Brasil, mas no mundo todo.
Quais são os tipos de vôos de sua preferência?
Cross é com certeza o tipo de vôo que mais
gosto. A idéia de poder sair de um lugar e ir
parar onde for, onde a condição acabar,
onde você quiser... eu adoro isso. Não
tenho muita paciência pra vôo local e gosto
muito de acro também, de ver pelo menos. Queria
aprender a fazer umas manobrinhas.
Quais equipamentos já pilotou?
Meu primeiro parapente foi um Balance, de quando a Sol
ainda era Fun Gliders; depois peguei um Axion da Sol
também e fiquei com ele até 2003; aí
voei 1 ano de Vulcan, da Ozone; e agora estou há
1 ano com o Eclipse da Sol.
Como foi sua trajetória no vôo?
Eu voei bastante até 99, mas não fazia
muito cross, eram vôos mais locais, no Rio, em
Petrópolis, Sumidouro. Depois entrei para faculdade,
fui fazer curso de piloto privado de avião e
parei de voar com tanta freqüência. Voltei
mesmo em 2003. Eu morava em Campinas e passei a voar
em Andradas nos fins de semana, foi quando comecei a
voar cross e a melhorar no vôo, em análise
de condição, etc. Nesse ano fiz também
dois SIVs que me ajudaram bastante e comecei a participar
de competições que me ensinaram muito!
Fale das competições.
Desde que voltei a voar tenho participado bastante de
competições: brasileiro, sul brasileiro
etc. Acho que é um ótimo lugar pra se
aprender, não só porque a gente passa
a voar com pilotos melhores que a gente, e isso é
sempre bom, mas porque se encontra pessoas que de outra
forma não se encontraria e daí outras
formas de voar, de ler o céu, de pilotar. É
um lugar pra se trocar experiência e idéias,
onde se testa os seus próprios limites e até
os do lugar em que se está.
Quais são seus planos para o esporte.
O vôo passou a ser uma prioridade pra mim. Este
ano o Mundial é prioridade, até o fim
de março só consigo pensar em vôo.
Vai ser maravilhoso voar com aquele povo todo, são
47 países inscritos. Vamos voar com umas lendas
do vôo livre e vai ser muito bom.
Acho que a gente tem grandes chances de vencer o individual
com o Frank e os outros meninos também não
ficarão atrás. E eu e July temos que fazer
o possível para não facilitar para as
estrangeiras. Eu vou voar de Eclipse, ainda fiquei na
dúvida se mudava para o Dinamic, mas acho que
ainda não é a hora, preciso voar mais.
De qualquer maneira vou fazer meu melhor.
Tenho voando bastante e vou chegar em GV duas semanas
antes pra já ir me familiarizando com as termaizinhas
de lá. Este ano não vou poder voar com
a freqüência que tenho voado, mas quero continuar
voando bem todo final de semana, pelo menos, e competindo
também. Pra isso estou até querendo sair
do Rio e ficar mais perto de um lugar bom de vôo.
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| No podium |
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| Com amigos |
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